Anemia e Deficiência de Ferro em crianças abaixo de 02 anos

junho 23rd, 2010

A anemia por deficiência de ferro é uma doença grave que afeta cerca de 20 a 40% das crianças, especialmente na fase de lactentes, ou seja, nos dois primeiros anos de vida, e que apresenta sérias complicações em curto e longo prazo.

Infelizmente, sabe-se que a anemia (queda da hemoglobina, responsável pelo transporte de oxigênio aos tecidos) é uma manifestação mais tardia da deficiência de ferro, um elemento fundamental em várias funções no organismo: crescimento, desenvolvimento  e na defesa contra infecções. A deficiência de ferro, antes de a anemia instalar-se, já compromete a saúde da criança e, portanto, a prevenção deve ser sempre considerada.

Pesquisas confirmam que crianças que apresentaram anemia ou deficiência de ferro nos dois primeiros anos de vida demonstram comprometimento no desenvolvimento cognitivo e na capacidade de aprendizado que persiste na vida adulta.
Para prevenir a anemia e a deficiência de ferro alguns cuidados com devem ser tomados com a alimentação de crianças nos dois primeiros anos de vida:
1. aleitamento materno exclusivo até os seis meses, sem oferecer água, sucos, chás ou quaisquer outros alimentos. É fundamental que as mães tenham uma alimentação rica em ferro e que recebam suplementação medicamentosa, durante a gestação e a lactação. O leite materno fornece a quantidade adequada de ferro e, também, de outros elementos que facilitam a sua absorção – crianças em aleitamento materno exclusivo não necessitam de suplementação de ferro.  Aos 6 meses de vida cerca de 70% das necessidades de ferro da criança precisam ser supridas pela alimentação complementar pois há uma queda fisiológica no conteúdo de ferro do leite materno, independentemente de quanto a mãe ingere desse mineral;

2. a partir dos seis meses, introduzir a alimentação complementar equilibrada e balanceada lembrando-se de incluir boas fontes de ferro na alimentação (Tabela 1) e mantendo o aleitamento materno até dois anos de idade ou mais. É recomendado que nas duas papas como refeição principal a criança receba 70 a 100 g de carne (Ex. bovina ou de frango), sendo a carne bovina oferecida preferencialmente ao menos 3 vezes por semana e, também, que o conteúdo de vitamina C (frutas cítricas e verduras), que facilita a absorção do ferro, seja adequado nas refeições. Crianças entre 7 e 12 meses e 1 a 3 anos de idade necessitam de 11 e 7 mg de ferro ao dia, respectivamente;

3. na impossibilidade do aleitamento materno oferecer à criança no primeiro ano de vida fórmulas infantis (produtos que atendem as necessidades nutricionais da criança nessa fase da vida). As sociedades científicas internacionais e nacionais (Sociedade Brasileira de Pediatria) recomendam que o leite de vaca integral (forma líquida ou em pó) não deveria ser oferecido a crianças abaixo de 1 ano, entre outras razões, pelo seu baixo conteúdo de ferro e reduzida capacidade de absorção. A baixa capacidade de absorção do ferro no leite de vaca integral é decorrente da grande quantidade de cálcio no leite de vaca (mineral que interfere na absorção do ferro). Acima de um ano de idade a criança já pode receber leite de vaca integral, mas o volume diário não deve ultrapassar 700 ml, distribuído em três tomadas (manhã, lanche da tarde e à noite) lembrando que o leite não deve ser dado junto às refeições principais. Ex: crianças acima de 1 ano que não aceitam bem o almoço ou jantar não devem receber leite de vaca em substituição ou complementação, neste horário. boa higiene dos utensílios empregados na preparação e oferta de alimentos é fundamental. A contaminação dos utensílios reduz a absorção do ferro;

4. leve regularmente a criança ao pediatra para receber as orientações adequadas de alimentação nas diferentes faixas de idade, monitorar o crescimento e receber orientações sobre a necessidade de uso de suplementos de ferro medicamentoso para prevenção ou tratamento da anemia. A partir da interrupção do aleitamento materno exclusivo, crianças que não recebem pelo menos 500 mL de fórmula infantil ao dia, precisam receber suplementos de ferro. O pediatra orientará a quantidade correta que deve ser oferecida, para prevenção da anemia e deficiência de ferro, até os dois anos de idade.

Tabela 1. Conteúdo de ferro e sua biodisponibilidade* em alguns alimentos:

Alimento  / Teor de ferro / Medida caseira / Biodisponibilidade
(mg/100g) (100g)

Carnes
Bovina (magra)  / 4,0 / 4 colheres de sopa ou 1 bife médio e fino  / Alta
Suína (lombo) /  3,2  / 1 bife médio e fino / Alta
Peixes (anchova) / 1,4  / 1 filé médio  /  Alta
Galinha  / 1,7  / 4 colheres sopa rasa  / Alta
Vísceras
Fígado bovino / 5,1 1 / bife médio e fino  / Alta
Coração /  5,4  / 1 xícara chá rasa /  Alta
Miúdos de galinha / 4,3  / 1 xícara chá rasa  / Alta
Ovo
Gema   / 2,3  /  5 gemas / Baixa
Inteiro “poached”  / 2,2 / 2 ovos  / Baixa
Leite
Humano / 0,5  / 1 xícara de chá / Alta
Vaca pasteurizado /  0,1 1 /  xícara de chá  / Baixa
Leguminosa
Lentilha  /  2,1  / 12 colheres de sopa / Baixa
Soja / 3,4  / 12 colheres de sopa  / Baixa
Soja (farinha) /  8,8  /  10 colheres de sopa  / Baixa
Feijão vermelho /  2,4  / 12 colheres de sopa  / Baixa
Ervilha  /1,8 / 12 colheres de sopa / Baixa
Cereais
Cereais matinais  / 12,5  / 1 xícara de chá  / Alta
Farinha láctea  / 4,0  / 7 colheres de sopa / Alta
Aveia (farinha)  / 4,5   / 7 colheres de sopa  / Baixa
Aveia (flocos)  / 3,5  / 7 colheres sopa  / Baixa
Verduras
Nabo  /0,4  / 3 médios  /Alta
Brócolis  / 1,3  / 1 xícara de chá  /  Alta
Couve crua /cozida  / 2,2 / 0,7  /10 folhas médias  /Média
Batata inglesa  / 0,5  / 2 batatas médias  /Média
Cenoura crua ou cozida  / 0,7/0,6  / 2 cenouras médias ou 1 xícara de chá  / Média
Espinafre /  3,2  / 4 colheres de sopa  /Baixa
Beterraba  / 0,8  / 1 xícara de chá  / Baixa
Frutas
Suco de limão  /0,6 / 4 colheres de sopa  / Alta
Açaí (polpa)  / 11,8  / 1 colher sobremesa  / Alta
Laranja  / 0,7  / 1 pequena  / Alta
Banana prata  / 2,0  /1 média  / Média
Manga  /0,8  / 5 pedaços médios  / Média
Abacate  / 0,7  / Meio médio  / Baixa

*Biodisponibilidade – quantidade de ferro que o organismo consegue absorver. Os alimentos de alta biodisponibilidade são os que contêm ferro de melhor absorção.

Fonte: Roseli Oselka Saccardo Sarni
Pediatra Nutróloga. Doutora em Medicina pela UNIFESP. Médica assistente e pesquisadora em nutrição do Departamento de Pediatria da UNIFESP. Professora assistente do Departamento de Pediatria da Faculdade de Medicina do ABC.
Manual de Alimentação, Sociedade Brasileira de Pediatria (www.sbp.com.br) , 2008.

Alimentação no Primeiro Ano de Vida

junho 23rd, 2010

A alimentação saudável, especialmente no primeiro ano de vida, é de fundamental importância visto que nesta fase o crescimento e o desenvolvimento ocorrem de maneira pronunciada. Vale ressaltar que ao longo do primeiro ano de vida a criança via de regra, triplica o peso de nascimento e cresce cerca de 25 centímetros. Outro aspecto de  fundamental importância diz respeito à promoção da saúde e prevenção de doenças a curto e longo prazo e nesse sentido hábitos alimentares e estilo de vida adequado devem ser cultivados desde o nascimento.

A Organização Mundial da Saúde e a Sociedade Brasileira de Pediatria recomendam que o aleitamento materno exclusivo (aquele sem água, chá e nenhum outro tipo de alimento) seja promovido até os seis meses e que o aleitamento persista até 2 anos de idade ou mais. A introdução de alimentos complementares deve ocorrer aos 6 meses de idade iniciando-se com papa e suco de frutas e posteriormente com a papa como refeição principal. O tipo de fruta a ser oferecido terá de respeitar as características regionais, custo e estação do ano e a presença de fibras, lembrando que nenhuma fruta é contra-indicada. O suco natural deve ser utilizado preferencialmente no intervalo das refeições, e não em substituição a estas, em quantidade máxima de 240 ml/dia.

A consistência da papa deve ser progressivamente aumentada (sempre amassada com o garfo e não liquidificada) evitando-se assim a administração de sopas ralas com calorias insuficientes. As papas devem ser compostas por misturas múltiplas envolvendo 4 grupos: cereais ou tubérculos (arroz, milho, batata, etc) + leguminosas (feijão, soja, ervilhas, lentilha ou grão de bico) + proteína animal (carne bovina, frango, vísceras, ovos ou peixe) + hortaliças ou legumes (agrião, acelga, almeirão, cenoura, chuchu, abóbora, etc). O estímulo ao consumo diário de frutas, verduras e legumes é essencial para o desenvolvimento de hábitos saudáveis. Cuidado deve ser tomado também, com a higiene no preparo e manuseio dos alimentos, garantindo armazenamento e conservação adequados.

Abaixo receitas de papa com as quantidades indicadas para ilustrar:

Papa  - Exemplo 1
Ingredientes:
1 colher de sopa de macarrão
½ unidade de mandioquinha
2 colheres de sopa abobrinha
2 colheres de sopa de carne moída (50g)
1 ramo de espinafre
1 colher de chá de cebola picada
1 colher de sobremesa de óleo
1 colher das de sopa de lentilha
Modo de Preparo
Lave bem os legumes em água corrente. Descasque-os e corte em pedaços pequenos. Reserve. Em uma panela pequena, aqueça o óleo e refogue a carne moída e a cebola. Acrescente os legumes, o macarrão e a verdura. Cubra com água. Tampe e cozinhe até que os ingredientes fiquem macios e com pouco caldo. Amasse com o garfo e sirva.

Papa – exemplo 2

Ingredientes
1 batata média
2 cubos médios de abóbora
½ filé de frango (50g)
2 folhas de alface
2 colheres de sopa de abobrinha
2 colheres de sopa de feijão
1 colher de chá de cebola picada
1 colher de sobremesa de óleo
Modo de Preparo
Lave bem os legumes em água corrente. Descasque-os e corte em pedaços pequenos. Reserve. Em uma panela pequena, aqueça o óleo e refogue o frango e a cebola. Acrescente os legumes, o feijão e a verdura. Cubra com água. Tampe e cozinhe até que os ingredientes fiquem macios e com pouco caldo. Amasse com o garfo e sirva.

Esquema para introdução dos alimentos complementares:          

Até o  6º mês = Leite materno
6º ao 7º mês = Leite materno, suco e papa de frutas
7º ao 8º mês = Papa como refeição principal
9º ao 11º mês = Passar gradativamente para a alimentação da família
12º mês  =  Comida da família*
  

*Importante que os pais tenham hábitos saudáveis pois servirão de modelo para a criança

Não se deve acrescentar açúcar ou leite às papas (na tentativa de melhorar a aceitação), pois podem prejudicar a adaptação da criança às modificações de sabor e consistência das dietas.
A exposição freqüente a um determinado alimento facilita sua aceitação. Em média são necessárias 8 a 10 exposições ao alimento para que ele seja plenamente aceito pela criança. Não devem ser acrescidos temperos prontos e sal em excesso na preparação da papa. A oferta de água potável passa a ser necessária nesta fase.

Alimentos enlatados, embutidos, macarrão instantâneo, frituras, refrigerantes, balas, salgadinhos e outras guloseimas não devem ser oferecidos à criança.

Diante da impossibilidade do aleitamento materno, deve-se utilizar uma fórmula infantil que atende todas as necessidades da criança menor de um ano. O leite de vaca fluido (em embalagem longa vida, UHT) ou em pó não deve ser introduzido no primeiro ano de vida é o que recomenda a Sociedade Brasileira de Pediatria. A utilização do leite de vaca em crianças abaixo de um ano eleva o risco para o desenvolvimento da  anemia devido ao conteúdo reduzido de ferro que além do mais é pouco absorvido, há também pequena quantidade de gorduras essenciais para o desenvolvimento do cérebro e da retina, outra limitação reside na quantidade insuficiente de vitaminas como a C, do complexo B e a E.

O Manual de Orientação para alimentação do lactente, do pré-escolar, do escolar, do adolescente e na escola desenvolvido pelo Departamento Científico de Nutrologia da Sociedade Brasileira de Pediatria encontra-se disponível no site www.sbp.com.br.

Fonte: Dra. Roseli Oselka Saccardo Sarni
Pediatra com área de atuação em nutrologia e terapia nutricional parenteral e enteral.
Doutora em Medicina pela Unifesp. Médica Assistente e Pesquisadora da Disciplina de Alergia, Imunologia clínica e Reumatologia do Departamento de Pediatria da Unifesp.Professora assistente e Coordenadora do Serviço de Nutrologia do Departamento de Pediatria da Faculdade de Medicina do ABC.
Email de contato: rssarni@gmail.com

 

Alergia Alimentar

junho 23rd, 2010

A alergia alimentar faz parte de um grupo de doenças chamadas reações adversas aos alimentos e atinge cerca de 6 a 8% das crianças. Estas reações podem ser classificadas em tóxicas e não tóxicas. As reações tóxicas podem ocorrer pela ingestão de alimentos contaminados (Ex. toxina botulínica que pode estar presente no mel) e as reações não tóxicas podem ter a participação do sistema imunológico (alergia alimentar) ou não (intolerância alimentar).

Os alimentos mais comumente associados à alergia alimentar são leite, ovos, amendoim, castanhas, peixe e frutos do mar. Em crianças abaixo de dois anos de idade a alergia ao leite de vaca é a mais freqüente acometendo 3 a 4% das crianças, especialmente aquelas com história familiar positiva para asma, rinite ou alergia alimentar no pai, mãe ou irmão.
Por vezes, há confusão entre intolerância à lactose  e alergia ao leite de vaca. Na intolerância à lactose as manifestações clínicas (diarréia, distensão abdominal, cólicas e assaduras) são decorrentes da presença do açúcar do leite (lactose) intacto na luz intestinal, por ausência ou baixa produção da enzima lactase não é possível para a criança realizar a digestão e absorção deste açúcar. Resumidamente, na intolerância à lactose ocorrem reações locais (intestinais) relacionadas ao açúcar do leite (lactose) e não às suas proteínas.

Para o tratamento da intolerância à lactose não é necessário retirar completamente o leite e derivados da alimentação da criança. A família, sob a orientação de um profissional de saúde, pode  permitir que a criança receba leite (em quantidades que possa tolerar sem sintomas), preparações com leite de vaca e principalmente derivados com menor quantidade de lactose ou com facilitadores da digestão e absorção (iogurtes com probióticos, queijos e manteiga). Há também no mercado fórmulas infantis e leites com baixo conteúdo de lactose que podem ser oferecidos à maioria das crianças com intolerância à lactose.

Na alergia ao leite de vaca a reação, com a participação do sistema imunológico, é dirigida contra as proteínas do leite. Há várias manifestações clínicas que podem estar associadas à alergia ao leite de vaca e, sendo assim, é fundamental que o diagnóstico seja realizado por um profissional de saúde. Entre os sintomas e sinais relacionados podemos citar: manifestações de pele (placas vermelhas elevadas (urticária), vermelhidão na pele com prurido, chiado no peito, coceira no nariz, fezes com sangue, diarréia, até manifestações muito graves como as reações anafiláticas (inchaço na garganta e falta de ar com necessidade de atendimento imediato em serviço de emergência).

O tratamento na alergia ao leite de vaca consiste na retirada total do leite de vaca da dieta da criança, de seus derivados e preparações. Especialmente na criança abaixo de dois anos há necessidade após a confirmação do diagnóstico do uso de fórmulas infantis apropriadas (fórmulas de proteína isolada de soja, extensamente hidrolisadas ou de aminoácidos).

A decisão de qual fórmula utilizar deve ser sempre feita por profissional de saúde habilitado. O uso de substitutos não apropriados pode levar a criança com alergia ao leite de vaca ao risco de desnutrição, comprometimento do crescimento estatural, anemia, deficiência de cálcio, entre outras complicações. Há no Estado de São Paulo um programa de fornecimento gratuito, mediante o diagnóstico, de fórmulas infantis especiais para crianças com alergia ao leite de vaca.

Em relação à prevenção da alergia ao leite de vaca, cabe salientar a importância da promoção do aleitamento materno que deve ser praticado de forma exclusiva até o sexto mês e mantido até dois anos ou mais, com a introdução de alimentação complementar balanceada, variada e equilibrada, sob orientação do pediatra.
Para maiores informações entre em contato com o Instituto Girassol – Grupo de Apoio aos Portadores de Necessidades Nutricionais Especiais pelo telefone 08007739000 ou pelo email: girassol@girassolinstituto.org.br.

Fonte: Dra. Roseli Oselka Saccardo Sarni
Pediatra com área de atuação em nutrologia e terapia nutricional parenteral e enteral.
Doutora em Medicina pela Unifesp. Médica Assistente e Pesquisadora da Disciplina de Alergia, Imunologia clínica e Reumatologia do Departamento de Pediatria da Unifesp.Professora assistente e Coordenadora do Serviço de Nutrologia do Departamento de Pediatria da Faculdade de Medicina do ABC.
Email de contato: rssarni@gmail.com

 

Estudo UNIFESP: Prescrição de Produtos Inadequados para crianças c/ Alergia a Proteína do Leite de Vaca

junho 10th, 2010

Erros conceituais - Os pediatras e nutricionistas erram com freqüência no diagnóstico para detectar a alergia às proteínas do leite de vaca em crianças menores de 2 anos. Essa é a conclusão de uma pesquisa, feita na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), em que foi demonstrada a presença de “erro conceitual” em relação às recomendações terapêuticas na alergia ao leite de vaca em lactentes.

O trabalho, publicado na Revista Paulista de Pediatria, alerta para a necessidade de diagnósticos precisos e cautelosos, uma vez que a dieta de exclusão do leite de vaca, ao ser aplicada aos lactentes, pode prejudicar o crescimento normal e a própria qualidade nutricional da dieta. As crianças menores de 2 anos, em fase de rápido desenvolvimento, apresentam necessidades nutricionais elevadas.

A eliminação do leite de vaca, sem substituição adequada, provoca déficits de cálcio e de outros nutrientes. De acordo com o coordenador do estudo, Mauro Batista de Morais, professor associado e livre-docente da disciplina de gastroenterologia pediátrica da Unifesp, deve-se prescrever dieta de exclusão do leite de vaca e derivados com substituição da mamadeira, na maioria dos casos, por uma fórmula especial, denominada hidrolisado de proteínas, ou por fórmulas de aminoácidos.

“Como se trata de produtos com custo mais elevado, muitos pediatras e nutricionistas iniciam o tratamento com fórmula de soja. De acordo com a Academia Norte-Americana de Pediatria, as fórmulas de soja só podem ser utilizadas nas alergias imediatas após o sexto mês de vida”, afirmou Morais à Agência FAPESP.
Os outros autores do estudo, todos ligados à Unifesp, são Ana Paula Cortez, Lilian Cristiane Medeiros, Patrícia da Graça Speridião, Regina Helena Mattar e Ulysses Fagundes Neto, esse último professor titular de gastroenterologia pediátrica e reitor da universidade.

A pesquisa foi realizada em três hospitais públicos no município de São Paulo, em 2005. Os resultados foram analisados a partir de um questionário auto-administrado, envolvendo 53 pediatras e 29 nutricionistas com idade entre 21 e 50 anos. Cerca de 91,6% dos que responderam às questões tinham pós-graduação (especialização, mestrado ou doutorado).

Observou-se que produtos como leite de cabra, fórmula láctea sem lactose e parcialmente hidrolisada, que não são recomendados para o tratamento da alergia às proteínas do leite de vaca, foram considerados adequados por alguns profissionais. Cerca de 66% dos pediatras e 48% dos nutricionistas prescreveram pelo menos um produto considerado inadequado para pacientes com alergia ao leite de vaca.

“Muitas vezes são prescritos extratos de soja que não atendem às necessidades da criança e podem desencadear alergia. A soja que é usada por adulto não pode ser a única fonte de alimentação de uma criança. Esse é um erro comum. A dieta da exclusão não pode se limitar a curar a alergia. Ela também deve ser adequada para o lactente crescer”, afirmou Morais.

Alternativas não informadas:
Outro dado que chamou a atenção no estudo é que 25% dos pediatras e 40% dos nutricionistas não apontaram as fórmulas à base de hidrolisado protéico e fórmulas à base de aminoácidos como opções terapêuticas no combate à alergia ao leite de vaca.

O problema começa na fase incial. Lactentes que apresentam diarréia e vômito levantam indícios de que tenham alergia ao leite de vaca. No primeiro momento, segundo Morais, deve haver a suspensão do leite na dieta. Depois de alguns dias, a diarréia e os vômitos desaparecem. Após cerca de oito semanas, o leite de vaca é reintroduzido na alimentação para verificar o reaparecimento dos sintomas.

“Esse é o processo correto para fazer o diagnóstico. Na prática, os médicos param no segundo ponto. Ou seja, só fazem a dieta da exclusão. Se a dieta for errada, a criança terá déficits nutricionais”, disse.
Em relação à rotina de atendimento, 52,8% dos pediatras responderam que crianças com alergia a proteínas do leite de vaca são avaliadas e orientadas por nutricionistas. E a maioria dos profissionais (97,6%) afirmou realizar, rotineiramente, a avaliação da dieta.

Houve uma proporção maior de nutricionistas, em relação aos pediatras, que afirmou ter adotado algum padrão de referência para analisar a quantidade de cada nutriente na dieta da criança.
No aspecto “alimentos que devem ser excluídos” durante o tratamento da alergia às proteínas do leite de vaca, 92,4% dos pediatras e 89,6% dos nutricionistas responderam corretamente. Mas 20,7% e 17,2%, respectivamente, “limitaram-se à exclusão da dieta do leite de vaca e de seus derivados, mas não mencionaram os produtos industrializados e as preparações que podem conter as proteínas do leite de vaca”, disse Morais.

Confusão no diagnóstico:
A pesquisa também detectou haver erro no diagnóstico em relação à intolerância à lactose, que é confundida com alergia a proteínas. Os resultados mostram que 30,8% dos pediatras e 17,2% dos nutricionistas consideram necessária a retirada de todos os alimentos que contenham as proteínas do leite de vaca nos casos de intolerância à lactose.

“A intolerância à lactose é uma incapacidade de a pessoa absorver a lactose (açúcar), e não a proteína. A intolerância à lactose ocorre, geralmente, depois dos 4 anos de idade. Os sintomas são gases, flatulência, cólica abdominal e, eventualmente, diarréia. As pessoas que têm intolerância a ela podem comer eventualmente pequenas quantidades em produtos derivados do leite, como queijo e iogurte”, explicou o professor de gastroenterologia pediátrica da Unifesp.

Outro problema encontrado foi em relação à ingestão de leites de outros mamíferos, como cabra ou ovelha. Cerca de 15,2% dos pediatras e 13,7% dos nutricionistas afirmaram que “leites de outros mamíferos poderiam ser utilizados como substitutos para crianças com alergias às proteínas do leite de vaca”.
De acordo com Morais, as proteínas do leite de cabra são muito semelhantes às do leite de vaca, portanto, não adequadas para o indivíduo com alergia, ou seja, “quem tem alergia ao leite de vaca, em geral, tem alergia ao leite de cabra. Quando o paciente melhora com leite de cabra é provável que não seja alergia alimentar”, disse.
O estudo levanta a necessidade de se “elaborar estratégias educacionais que ampliem os conhecimentos desses profissionais”, visando a evitar a recomendação de dietas de exclusão sem efetividade ou a ocorrência de déficits nutricionais por dietas que não preencham as necessidades nutricionais do lactente.

“Os maiores déficits de comprometimento são os procedimentos e as condutas práticas terapêuticas. Não sabemos ainda se é por desconhecimento ou porque o profissional acha que não vai conseguir fazer o tratamento de forma mais adequada. É preferível que, se o médico tem uma dificuldade maior para prestar atendimento, que ele encaminhe o paciente para um centro especializado”, enfatizou o pesquisador.

Fonte: Conhecimento de pediatras e nutricionistas sobre o tratamento da alergia ao leite de vaca no lactente, de Mauro Batista de Morais e outros, disponível na biblioteca on-line SciELO (Bireme/FAPESP).

 

Prevenção Terciária da Alergia Alimentar

maio 28th, 2010

A prevenção terciária da AA se refere ao tratamento da doença estabelecida e engloba alguns pontos fundamentais, que devem ser seguidos para adequado tratamento do paciente:

* Esclarecimento ao paciente, à familia e à escola sobre a doença e os riscos.
* Exclusão do alimento desencadeante de alergia.
* Dieta de substituição que seja palatável e assegure adeuqado crescimento e desenvolvimento.
* Orientação quanto a um plano de tratamento para casos de emergência.
* Nos pacientes anafiláticos, orientação sobre o uso de adrenalina IM.
* Conhecimento de termos correlatos ao alimento excluído.
* Orientação sobre leitura de rótulos.

A educação do paciente e dos familiares em relação à doença é de fundamental importância, já que auxilia na adesão ao tratamento e possibilita o esclarecimento de dúvidas. Alguns pontos é importante conhecer:

* Qual nível de restrição do alimento necessário?
Para isso é preciso conhecer: O alimento envolvido; o tipo de mecanismo imunológico envolvido na reação; as caracterísiticas da proteína alergênica; a história natural da alergia ao alimento; o estado nutricional do paciente; compreensão da rotulagem dos alimentos.

* Quais as possíveis implicações da dieta de substituição no estado nutricional:
Adequação do consumo de nutrientes; Interferências dos hábitos nutricionais familiares; presença de nutrientes importantes no alimento eliminado; substituições adequadas quanto aos nutrientes excluídos.

O conhecimento da rotina alimentar da família é de extrema importância na orientação nutricional dos pacientes. As adequações que impoem restrição alimentar para os pacientes devem contemplar substituições agradaveis, adequadas nutricionalmente e passíveis de preparo pela família. Também se deve observar que refeições fora do domicilio podem representar riscos aos anafiláticos, em consequencia de preparo compartilhado com produtos lácteos ou mesmo da ingestão de pequenas doses do alimento excluído em outros alimentos. Durante a dieta de exclusão, há risco nutricional a pacientes não adequadamente orientados para substituições de mesmo valor nutricional. Um exemplo desse risco é a exclusão de LV em pacientes sem o hábito de consumo de vegetais, grãos e frutas que podem auxiliar na reposição do cálcio.
Em relação a terapêutica de substituição alimentar, tomaremos como exemplo a dieta de exclusão do LV, já que é a AA mais comum e necessita orientação adequada do pediatra ou especialista.

Fonte:  Temas de pediatria - n0. 88 - Nestlé Nutrition Institute
Estratégias de Prevenção da Alergia Alimentar.

Intolerância à Lactose

maio 28th, 2010

O que é?  É uma reação adversa a alimentos sem envolvimento do sistema imunológico.
Ocorre quando há prejuízo da digestão da lactose por redução da atividade da enzima lactase. Consequentemente, a lactase não é totalmente absorvida e chega intacta ao cólon, podendo levar a sintomas como distenção abdominal, diarréias e vòmitos.

TIPOS:

Primária: Redução da produção de lactase que ocorre, geralmente, na infância e adolescência.

Secundária: Acontece após um agravo da mucosa do trato gastrointestinal. Comum em lactentes jovens (menores de 03 meses ou desnutridos) que evoluem com quadro de diarréia infecciosa (viroses).  A Intolerância à lactose pode ser um dos fatores que interferem na evolução da doença.

Congênita: Doença autossômica recessiva muito rara, caracterizada pela ausência de produção de lactase desde o nascimento.

Fonte: Nestlé Nutricion / material sobre NAN S/ LACTOSE

Novos Nomes e Embalagens de Resource Plus e Resource Ultra Plus - suplementos Nestlé

janeiro 25th, 2010

Os produtos RESOURCE PLUS e RESOURCE ULTRA PLUS - Nestlé, agora estão com embalagens novas de 200ml tetra brik c/ canudinho e novos nomes:

Resource Plus agora é NUTREN 1.5

e

Resource Ultra Plus agora é NUTREN 2,0

Mais fácil para a prescrição e administração, e as suas propriedades nutricionais continuam as mesmas.

Confira em nosso site.

Mitos: Verdade ou Falso

janeiro 5th, 2010

O termo alimentação representa muito a todos nós. É um assunto que todos acreditam conhecer profundamente e que está enraizado de forma tão profunda na cultura e tradição que muitas crenças relacionam os alimentos à saúde ou doenças. Algumas delas são verdadeiras, algumas parcialmente verdadeiras e outras falsas.

O profissional de nutrição é capacitado e responsável no esclarecimento de uma alimentação equilibrada separando o mito da realidade (não confundindo o folclore, lendas e crendices aos fatos científicos)

Verdadeiro ou Falso na alimentação

Beterraba é uma das principais fontes de ferro
FALSO. Os alimentos ricos em ferro são as carnes, os miúdos, as leguminosas (feijão, lentilha, ervilha e grão de bico) e as verduras de folhas verde-escuras (exceto espinafre). A beterraba, assim como outros legumes, contem vitaminas e minerais, mas não é rica em ferro.

Espinafre é uma excelente fonte de fero (o mito do Popeye)
FALSO. Já se pensou, anteriormente que o espinafre era uma boa fonte de ferro, porém isso não é verdadeiro pela presença do ácido oxálico, que é um poderoso inibidor da absorção de ferro no organismo.

Suco de clorofila serve para aumentar plaquetas
FALSO. Embora seja composto por vários vegetais (cada pessoa elabora de uma forma), esse suco contém várias vitaminas e minerais, mas não aumenta o número de plaquetas.

Vitamina C aumenta a absorção de ferro
VERDADEIRO. Ingerir algum alimento rico em vitamina C (laranja, acerola, caju, limão) com as refeições principais, contendo no almoço e jantar uma porção de leguminosa, vegetais e carnes para que assim a absorção do ferro presente nestes alimentos possa ser melhor aproveitada.

Não consumir leite, chá, café e refrigerante junto com as refeições principais (almoço e jantar)
VERDADEIRO. Estas bebidas dificultam a absorção do ferro pelo organismo, devido a presença de cálcio e tanino na composição dos mesmos. Portanto, é importante manter um intervalo de pelo menos 1 hora, entre as refeições e o consumo destas.

Carne bovina é mais rica em ferro quando está malpassada ou “sangrando”
FALSO. A carne vermelha é fonte de proteína e ferro in natura ou após a cocção pois mantém seus nutrientes. Porém, é importante prepará-la adequadamente e não consumi-la crua ou malpassada, pois aumenta o risco de intoxicação alimentar.

Suco de laranja com beringela reduz o colesterol
PARCIALMETE VERDADEIRO. Este suco é efetivo quando associado a uma dieta equilibrada, pobre em gordura saturada (frituras, embutidos, queijos amarelos, doces gordurosos, manteiga e carnes gordas) e atividade física regular.

A cerveja, vinho e outras bebidas alcóolicas não são alimentos e por isso não engordam.
FALSO. A única bebida que não engorda é a água. Qualquer álcool que ingerimos é metabolizado imediatamente, mesmo quando as calorias que ele gera rapidamente não são transformadas diretamente em gordura, elas contribuem para a ingestão total de calorias e, assim, aumentam as chances de ganho de peso.

O chocolate vicia
PARCIALMENTE VERDADEIRO. Rigorosamente falando, comer chocolate não pode ser descrito como um vício. Entretanto, muitas pessoas sentem um desejo muito forte por chocolate, especialmente as mulheres. Estudos mostraram que, na segunda metade do ciclo menstrual, quando os níveis de estrogênio começam a cair, o chocolate proporciona os precursores para a serotonina, que tem um efeito calmante, e para as endorfinas que regulam o humor.

O chá de cogumelo melhora/ fortalece o sangue
FALSO. Ainda não existe nada comprovado cientificamente apesar de pesquisas estarem em andamento.

O peixe não pode ser consumido no pós operatório
FALSO. Isso é uma crença antiga. O peixe é um alimento que faz parte do grupo de alimentos construtores, ou seja, ajudam na formação de tecidos, defesa do organismo contra infecções, cicatrização de feridas e cirurgias, fortalecimento dos músculos e funcionamento do cérebro.

Fonte: Lab. Support / Forticare

Alimentação no Paciente Oncológico

janeiro 5th, 2010

Lembre-se que se deseja ganhar ou manter seu peso, a alimentação é o mais importante, e para alcançar o peso desejado, sua colaboração e entusiasmo são fundamentais.

Aqui vão algumas dicas de como aumentar as calorias de sua dieta:

• Lembre-se que sua dieta deve se fracionada de 2/2 ou 3/3 horas, contendo seis refeições ao dia.
• A apresentação das refeições é importante para abrir o apetite, refeições atraentes, saborosas e variadas ajudam no sucesso da dieta. Utilize temperos e ervas para melhorar o sabor e aroma dos alimentos.

 LEITE

Sempre use leite integral ao invés do leite desnatado, pois o leite integral é mais rico em calorias.
Para aumentar ainda mais o valor calórico do leite, adicione duas ou mais colheres de leite em pó em um copo (300 ml) de leite comum.
Sob orientação de seu nutricionista, acrescente suplementos nutricionais em pó, achocolatados, mel, açúcar mascavo, groselha e cereais como, por exemplo, granola.
Faça milk-shakes ou vitamina com frutas frescas, secas ou em calda.
Use leite integral ao invés de água para preparar sopas, bolos, mingaus, pudins, molhos, pães etc.

CARNES

Acrescente às carnes molhos preparados com queijo, batatas e legumes de um modo geral.
Prepare caldos de carne e acrescente-os em suas refeições.
Inclua a carne nos recheios de sanduíches, tortas e pães.

LEGUMINOSAS

Adicione feijão, soja, lentilhas, grão-de-bico e ervilhas em sopas, saladas, tortas, etc.
Utilize mais os grãos do que o caldo quando cozidos em água.

SALADAS

Inclua nas saladas queijo em cubos, grão-de-bico, nozes, passas, frutas, atum, carnes, torradas, iogurte natural, azeite, maionese e molhos.
Utilize legumes cozidos e refogados em óleo vegetal ou margarina.

SOPAS E PURÊS

As sopas e purês poderão ser acrescidos de queijo ralado, requeijão, azeite, margarina e torradas.

CHANTILLY

Use no chocolate ou café.
Utilize nas sobremesas, gelatinas, pudins e coberturas de bolos.
Passe em panquecas e waffles.
Misture com frutas e sorvetes.

CREME DE LEITE

Adicione no purê, sopas, molhos, suflês, frutas, gelatinas, mousses, pavês e outros.
Use para preparar molhos brancos.
Misture açúcar ou leite condensado e faça recheio e/ou cobertura de bolos.

PÃES E BOLACHAS

Passe quantidades extras de margarina, maionese, geléias, patês, mel, melado, etc.

FRUTAS

As frutas podem ser utilizadas das mais variadas formas, em todas as refeições e preparações como, por exemplo, no lanche da tarde ou como sobremesa do almoço e em bolos, tortas, mingaus, leite, iogurtes, etc.
Acrescente a elas leite condensado, creme de leite, mel, açúcar, granola, etc.
As frutas secas e em compota contém mais calorias.

LÍQUIDOS

Ao invés de ingerir somente água, utilize sucos de frutas naturais adoçados com açúcar ou mel durante todo o dia entre as refeições.

Fonte: Lab. Support / Forticare

 

Dicas Nutricionais p/ Pacientes Idosos

dezembro 21st, 2009

A qualidade de vida dos idosos está relacionada à possibilidade de se cumprir funções diárias básicas adequadamente, se sentir bem e viver de forma independente.

O envelhecimento é caracterizado por uma série de modificações fisiológicas e psicológicas que estão relacionadas, por sua vez, com alterações no estado nutricional.

A boa alimentação é uma preocupação constante também para a terceira idade, pois uma série de fatores, que enumeramos a seguir, podem causar deficiências importantes para o organismo:

* Problemas odontológicos: falta dos dentes, próteses antigas e mal ajustadas e doenças da cavidade oral e das gengivas.

* Problemas de deglutição: com dificuldade para engolir alimentos mais sólidos, devido a patologias da garganta e do esôfago.

* Perda ou diminuição do paladar e do olfato (cheiro).

* Problemas psico-geriátricos: principalmente depressão, tristeza, desânimo, apatia e solidão.

* Medicações: Uso de muitas medicações que podem trazer muitos efeitos colaterais e perda de apetite, bem como problemas gástricos, como azia e a gastrite.

* Preparo das Refeições: Não ter quem prepare as refeições, levando o idoso a preferir alimentos de mais fácil preparo e consumo, na maioria ricos em calorias e açúcar, pobres em vitaminas e proteínas.

No idoso com demência, o ato de alimentar-se pode ser ainda mais complicado, pois pela confusão mental e pela dificuldade de realizar até as mais simples tarefas, como “fazer seu próprio prato” e levar o garfo à boca, podem gerar estresse, cansaço para ele e para seus cuidadores.

Acrescenta-se o fato de que, com o avanço da doença, o idoso tem cada vez mais dificuldade de mastigação e de deglutição de alimentos sólidos, o que pode provocar engasgos e tosse.

Assim, é importante o cuidador observar quando o idoso engasga ou tosse ao comer, pois poderá estar iniciando um quadro de disfagia (dificuldade de engolir), mais comum em fases mais tardias da doença de Alzheimer.

O controle do peso do idoso é importante e deve ser feito mensalmente. Na doença de Alzheimer e nas outras patologias que cursam com demência, em fases mais avançadas, os idosos podem apresentar perda de peso, lenta e gradual, mesmo com a dieta correta e adequada. Imagine com uma dieta errada e inadequada?

Portanto, todo o processo do ato da alimentação tem que ser bem planejado. A seguir, reunimos algumas dicas importantes e fáceis de aprender e aplicar, para facilitar a boa interação com o idoso.

ALGUMAS DICAS e RECOMENDAÇÕES NUTRICIONAIS

A alimentação deve ser adequada e completa para atender às necessidades nutricionais;

Fazer de 5-6 refeições/dia de pequenos volumes, porém mais concentrada em calorias e nutrientes e bem diversificadas, para assegurar todo o aporte de vitaminas e sais minerais;

Cuidar da apresentação dos pratos e estimular a experimentação de novos sabores e sensações;

É primordial manter uma boa higiene bucal, cuidar da hidratação e da umidade da mucosa bucal e da língua;

Manter uma rotina e uma regularidade nos horários das refeições para minimizar as possíveis distrações (não ligar a televisão durante as refeições);

Utilizar utensílios adequados, como pratos que se fixem na mesa (com ventosas) e talheres de plásticos para evitar a autolesão;

Durante as refeições, o paciente deverá estar sentado com a inclinação correta da cabeça para favorecer a deglutição;

Adaptar a consistência para melhor mastigação e deglutição e evitar grumos, espinhas e cascas duras para o paciente não engasgar;

Beber água suficiente, principalmente para evitar os engasgos. Evitar administrá-la no período da noite e, em caso de disfagia a líquidos, usar espessantes;

Se houver alterações na deglutição, deve-se modificar a consistência dos alimentos sólidos e líquidos, utilizando alimentos com textura modificada e/ou espessantes (não mesclar texturas diferentes);

Usar temperos naturais como alho, cebola, cebolinha, cheiro verde, salsa, orégano e outros, evitando, assim, o abuso do sal.

Como medida de prevenção da constipação, assegurar quantidade suficiente de água, exercícios físicos regulares e alimentos ricos em fibras ou suplementos;

Diante de uma perda de peso, utilizar suplementos nutricionais orais e se o aporte de nutrientes for insuficiente, será necessário utilizar purês enriquecidos;

Os alimentos devem estar sempre em temperatura adequada, visto que, em fases mais avançadas, o paciente não consegue distinguir o quente do frio, estando mais exposto a lesões.

Fonte: Programa Nestlé Nutrition em Casa